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Segunda-feira, Abril 05, 2010
Posted
2:23 PM
by PAULO EDUARDO RIOS
Menino passarinho
Assim como o gol define o resultado, muitas vezes sem explicá-lo, e o passe representa o futebol solidário e coletivo, o drible simboliza o talento individual e o estilo lúdico de se jogar. O placar nem sempre representa a verdadeira história de uma partida. Pelas chances perdidas, o Barcelona poderia ter dado uma grande goleada no Arsenal, em Londres. O Barcelona jogou tão bem, até a metade do segundo tempo, que o resultado foi um detalhe pouco importante para quem queria ver um bom futebol, sem torcer. O drible tem sido, progressivamente, substituído pelo passe, tecnicamente correto, seguro e, cada vez mais, curto. Os treinadores de todo o mundo adoram ensaiar jogadas aéreas e fazer treinos de dois toques. O jogador domina e passa. O drible é a demonstração de habilidade diante de um marcador. É a união da técnica com a habilidade, do futebol prazeroso com o objetivo. O drible é a melhor maneira de se passar por uma retranca. Quando o marcador é driblado, abrem-se grandes espaços na defesa, ainda mais se a marcação for individual. O drible mais frequente é quando o jogador toca a bola, para pegá-la mais à frente. Nem considero um drible. É uma ação técnica, de velocidade e força física. Kaká é o mais eficiente nessa jogada, principalmente quando cai pelos lados, onde há mais espaços. O drible da vaca ou gaúcha, quando o jogador toca e pega a bola atrás do adversário, é uma variação do drible anterior. Os mais belos e verdadeiros dribles são lances de astúcia. Alguém já disse que o grande driblador dá aos pés a astúcia das mãos. O drible é a ginga de corpo, sincronizada com os movimentos dos pés. O driblador finge que vai perder, dá a bola para o marcador e a recolhe, no instante exato. A finta seria o drible de corpo sem tocar a bola. "Vai para um lado que eu vou para o outro". Assim Robinho batizou seu drible, contra o Equador, no Maracanã. Alguns comentaristas disseram que o drible de Robinho foi espetacular porque resultou em gol, de Elano. Não precisava. Fazemos muitas coisas na vida somente pelo prazer, sem nenhum objetivo. No drible elástico, popularizado por Rivelino, a bola, colada nos pés, vai de um lado para o outro, como um imã. Se a ciência fizesse um estudo microscópico, veria que o driblador brinca de colar e descolar a bola dos pés. Garrincha se tornou o símbolo do drible, como Gérson é do passe. Garrincha tinha dois tipos de drible. Em um, adulto, Garrincha, em uma fração de segundos, driblava, olhava e colocava a bola para o atacante, livre, marcar o gol. Era a união da brincadeira com a seriedade. Em outro, o drible infantil, ele bailava, de um lado para outro, às vezes sem tocar na bola. Garrincha e os torcedores se divertiam juntos. Quando um menino constrói um castelo, ele não sonha em ser rei. Ele é um rei. Quando Garrincha brincava, ele não sonhava em ser um menino, um passarinho, ele era um menino, um passarinho, um garrincha.
Tostão - Folha de SP - 05/05/2010
Segunda-feira, Março 29, 2010
Terça-feira, Março 23, 2010
Posted
5:48 PM
by PAULO EDUARDO RIOS
A anormalidade ficou 'normal'
Quando comecei a escrever, jurei que jamais abriria um artigo com a velha técnica: "Estou diante da página branca... mas falta-me um assunto" ou "a tela vazia do computador brilha pedindo um tema ? nada me ocorre." Jamais usei essa desculpa de articulista sem inspiração. E mantenho a promessa. Só que hoje não sou eu que estou sem assunto? É o Brasil. O governo nos surripiou, entre outras coisas, o "assunto". Lula repete o "espetáculo permanente" inventado por Jânio Quadros. E seus atos e fatos pautam o País. É uma forma sutil de controlar a imprensa, obrigando-a a discutir ou refutar "factóides" que nos lançam o tempo todo. Somos obrigados a discutir falsas verdades, denúncias vazias, em meio ao delírio narcisista de que o Brasil é Lula, de que existimos para celebrá-lo ou odiá-lo. Esse primitivismo paralisa os acontecimentos nacionais. Ou pior, parece acontecer muita coisa no País, mas nada de real está se concretizando, além do óbvio previsto: estouro das contas públicas, obras de pacotilha, empreguismo, ideologismo ridículo e terceiro-mundista. Os escândalos "parecem" acontecimentos. O PT encobre falcatruas em nome do poder, que eles chamam de "ideal socialista" ou algo assim. Tudo que acontece se coagula, coalha como uma pasta, uma "geleca", um brejo de não acontecimentos onde tudo boia sem rumo. Ou então são eventos disparatados: um dia Lula está com o Collor; no outro, com o Hamas. Uma visão crítica e racional sobre o Brasil ficou inútil. A maior realização deste governo foi a desmontagem da Razão. Podemos decifrar, analisar, comprovar crimes ou roubos, mas nada acontece. Fica tudo boiando como rolhas na água. A sinistra política de alianças que topa tudo pelo poder planeja com descaro transformar-se numa espécie do PRI mexicano. Desmoralizaram o escândalo, as indignações, a ética (essa palavra burguesa e antiga para eles)... Esses pelegos usurparam os melhores conceitos de uma verdadeira esquerda que pensa o Brasil dentro do mundo atual, uma esquerda que se reformou pelas crises do tempo, antes e depois da queda do Muro de Berlim. Eles se obstinam em usurpar o melhor pensamento de uma genuína "esquerda" contemporânea, em nome de uma "verdade" deformada que instituíram. Sinto-me um idiota (mais do que já sou, ai de mim...) e parece que ouço as gargalhadas barbudas de velhos sindicalistas como Vaccari, Vaccareza, Vanucci: "Ahh pode criticar... estamos blindados, tanto quanto os companheiros Sarney ou Renan...". As velhas categorias para explicar o Brasil morreram. Já há uma pós-corrupção, uma pós-direita (disfarçada de "esquerda"). Somos uma sopa em que flutuam as eternas colunas sociais, com os sorrisos e as bundas nuas, as velhas madames e as novas peruas, os crimes, as balas perdidas, as revoltas nas prisões. Já vivi épocas de cores mais vivas. O pré-64 era vermelho, não só pelas bandeiras do socialismo, mas pelo sangue vivo que nos animava a construir um País, romanticamente. Era ilusão? Era. Mas tinha gosto de vida. A minha esquerda já foi sincera. Hoje é esta trama-pelega. E a ditadura de 64, aquele verde-oliva que nos cercou como uma epidemia de vil patriotismo? Era terrível? Sim. Mas, nos dava o "frisson" de lutar contra o autoritarismo ou de sermos "vítimas" das porradas da História. Já passei pelas drogas e desbundes da contracultura, pelos depressivos anos cinzentos post-mortem de Tancredo, passei pelos rostos amarelos e verdes do "impeachment", pelo azul da esperança do Plano Real. E hoje? Qual é a cor de nosso tempo? Somos uma pasta cor de burro quando foge, uma cobra mordendo o próprio rabo, um beco sem saída disfarçado de progresso, graças à vitalidade da economia que o Plano Real permitiu. Somos tecnicamente uma "democracia", que é vivida como porta aberta para oportunismos, pois a "cana" é menos dura... Democracia no Brasil é uma ditadura de picaretas. O povão prefere um autoritarismo populista e os intelectuais sonham com um socialismo imaginário que resolva nosso bode "capitalista", quando justamente o injusto capitalismo seria a única bomba capaz arrebentar nosso estamento patrimonialista de pedra. Quem quiser alguma positividade é "traidor". A miséria tem de ser mantida "in vitro" para justificar teorias velhas e absolver incompetência. A Academia cultiva a "desigualdade" como uma flor. Utopia de um lado e burrice do outro impedem a agenda de nossas reformas urgentes, essenciais para nossa modernização, que grossos barbudos chamam de "neoliberalismo". Nos USA, tempo é dinheiro; no Brasil, a lentidão é a mola mestra do atraso. O Brasil gira em volta de si mesmo. Somo feitos de sobras do ferro-velho mental do País, de oligarquias felizes e impunes, de um Judiciário caquético, das caras deformadas de políticos, das barrigas, das gravatas escrotas, da gomalina dos cabelos, das notas frias, da boçalidade dos discursos, dos superfaturamentos, tudo compondo uma torta escultura, um estafermo fabricado com detritos de vergonhas passadas, togas de desembargadores, bicheiros, cérebros encolhidos, olhos baços, depressões burguesas, hipersexualidade rasteira, doenças tropicais voltando, dengue, barriga d"água, barbeiros e chagas, cheiros de pântano, ovos gorados, irresponsabilidades fiscais, assassinos protegidos no Congresso, furtos em prefeituras, municípios apodrecidos, decapitações, pneus queimados, ônibus em fogo. No caos não há eventos. Para haver acontecimentos, tem de haver uma normalidade a ser rompida. Mas, nada acontece, pois a anormalidade ficou "normal". Tenho a sensação de que uma coisa espantosamente óbvia e sinistra está em gestação. Por isso, gosto de citar a frase da bruxa do Macbeth: "Something wicked this way comes" (Shakespeare). Tradução: "Vem merda por aí!...". Nossa chance única de modernização pode virar um "chavismo cordial".
Arnaldo Jabor - O Estadao de S.Paulo - 23/03/2010
Terça-feira, Dezembro 01, 2009
Quarta-feira, Setembro 09, 2009
Posted
5:39 PM
by PAULO EDUARDO RIOS
McLanche Infeliz
Pobre família. Esmagada entre teorias sobre seu fim ou sua transformação em mera empresa que gera jovens consumidores e gestores de carreiras, a família se despedaça sob a bota da instrumentalização da vida. Perdoe-me o leitor por contaminar sua segunda-feira com palavras de horror. Sou obrigado a fazê-lo. E mais. Pais atormentados por mudanças que desqualificam seu lugar de homens despencam num abismo de sensibilidades, no fundo indesejadas por suas parceiras. Mães espremidas pelas obrigações advindas da emancipação de sua condição de mulher, ameaçadas pela solidão de quem aposta demasiadamente nas propagandas de sucesso pessoal, no fundo apavoradas como sempre estiveram pela deformação de seus corpos diante do desejo ávido masculino por mulheres cada vez mais jovens. Homens e mulheres acuados pela imensa montanha de idealizações.A dependência de especialistas em como educar filhos se torna mais aguda do que a dependência do sexo, do álcool ou do tabaco. Bom o tempo em que tudo que temíamos era a luxúria dos corpos que ardiam na escuridão dos quartos. A insegurança de cada passo mostra seus dentes diante dos filhos que crescem ao sabor de um mundo que se torna cada vez mais exigente e, por isso mesmo, mais cruel. A associação entre demanda de sucesso e crueldade parece escapar aos especialistas na vida bem sucedida. O fracasso é o pai do humano que se quer humano. Eis o maior de todos os impasses. Alguns praticantes das ciências parecem analfabetos tolos diante desta máxima e, por isso, repetem alegres suas crenças bobas nos instrumentos do progresso. Enganam-se, em sua infância intelectual, quando pensam que nós, céticos desta Babel, amamos o sofrimento, quando na realidade sabemos apenas de sua inevitabilidade como condição da humanização. É uma ciência da inevitabilidade do sofrimento que falta a estas almas superficiais que ainda chafurdam nas crenças do século 18. Esses chatos, montados em suas análises jurídicas, sociológicas e psicológicas, atormentam a família, que fica perdida em meio a uma ciência moralista que tem como uma de suas taras a intenção de provar a incompetência dos homens e das mulheres na labuta com suas crias. Agora esses chatos decidiram que vão mandar nas compras de sucrilhos e nas idas ao McDonald's. Tomados pelo furor da lei, esses puritanos querem ensinar padre-nosso ao vigário, assumindo que os pais precisam de tutela na hora de comprar comida para seus filhos. Nada de bonequinhos, nada de brindes, apenas embalagens feias como caixotes soviéticos. Daqui a pouco, vão proibir mulheres bonitas nas propagandas e as gotas de cerveja que escorrem por suas saias curtas. Riscarão do mapa carros que desfilam homens charmosos. Uma verdadeira pedagogia do horror como higiene do bem. O problema com este higienismo é que ele pensa combater em nome da liberdade, mas, na realidade, restringe ainda mais a liberdade, esmagando-a em nome desta senhora horrorosa que se chama "cidadania". Esta senhora, que tende ao desequilíbrio quando se faz cheia de vontades, nasceu sob o sangue da revolução francesa, e dela guarda seu gosto pela humilhação. Deve, portanto, permanecer sob "medicação", porque detesta o homem comum e sua miséria cotidiana que carrega nossa identidade mais íntima. Sob a égide da defesa do bem comum, ela, quando investida da condição de rainha louca da casa, amplia o sentido dessa "coisa pública" elevando-a a categoria de uma geometria moral da intolerância. Deixe-nos em paz com nossos filhos mal educados, com maus hábitos alimentícios, viciados em televisão e computador, aos berros para ganhar o McLanche Feliz. A negação da liberdade vem acompanhada da afirmação do que é a liberdade certa. Liberdade sempre pressupõe o desgosto e uma certa desordem indesejável. Daqui a pouco, vão dizer que não podemos comprar chocolates com personagens infantis (como se o gosto do chocolate para uma criança fosse "apenas o gosto do chocolate"). Em seguida, obrigarão nossas crianças a ler livros com meninas beijando meninas e histórias onde Jesus era africano. Criarão aulas onde meninos aprendam a colocar camisinha em bananas com a boca, afinal a igualdade entre os sexos deve passar pelo esmagamento da privacidade suja dos preconceitos, como se a vida fosse possível sem sombras, sob o calor sufocante da luz.
Luiz Felipe Pondé, Folha de S.Paulo, 07.09.2009
The Classe Média Way of Life (dica 015 - Correr)
Se existe um esporte tipicamente médio-classista, é a Corrida. Ou melhor, "Running": "corrida" é o que faz o pobre atrás do ônibus. Quem é da Classe Média pratica é o "Running", ou seja, corre para se divertir, tirar a cabeça dos problemas da empresa, dar um tempo das crianças e manter a saúde. O bom desse esporte, para o médio-classista, é não se misturar com quem não está no mesmo nível social. Afinal, pobre nenhum, que já corre o dia inteiro, vai querer se divertir com isso. E se aparentemente o "Running" parece ser um esporte barato, quando se analisa as minúcias, dá pra perceber que é bem caro. Tênis de R$500,00, treinador, academia, freqüencímetro, inscrição para corridas não mais baratas que R$50,00... Tudo isso garante que sua empregada não passará correndo por você e seu grupo de amigos, correndo o risco de alguém reconhecê-la e falar pra todo mundo que a sua empregada corre mais do que você. Quanto ao desempenho, o que vale é participar. Normalmente as corridas preferidas são as de 5 e 10Km, que se pode correr sem muito comprometimento. Pode andar um pouco no meio do percurso, não tem problema. O que interessa é o final, lá na frente, com um monte de "gente bonita" reunida para desfilar os tênis e os equipamentos caros que vão matar os outros de inveja. Já os poucos pobres que costumam participar destes eventos, não são motivo de preocupação do médio-classista. Enquanto este se arrasta até a linha de chegada com seu grupo de amigos "do mesmo nível social" (ou "equipe"), os pobres estão lá na frente compondo o pódio.
Vai lá: http://classemediawayoflife.blogspot.com
Sexta-feira, Agosto 14, 2009
Posted
10:43 AM
by PAULO EDUARDO RIOS
Lula veta limite de gastos na LDO
Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010 deixa governo livre para custear obras e publicidade em ano eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2010 com 20 vetos. Entre os dispositivos mais relevantes que foram barrados estão alguns que limitavam despesas com obras e publicidade. Agora, o governo está mais livre para gastar em ano eleitoral. Um dos vetos foi ao artigo que impedia o governo de excluir do cálculo da meta de superávit primário, definida em 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), os chamados restos a pagar relativos a obras ainda não executadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A medida, na visão do governo, engessava a possibilidade de execução mais acelerada das obras do PAC. "O fato implica sérias restrições à execução de importantes ações desse programa, que possui obras de grande porte e de caráter plurianual, ou seja, perpassam vários exercícios e orçamentos anuais. Assim, é natural a inscrição de restos a pagar não processados para esse tipo de obra, dada a sua complexidade e a existência de diversos eventos que podem alterar o cronograma de liquidação da despesa", diz o texto que justifica o veto. Outro veto relevante cortou do texto da lei dispositivo que limitava as despesas do governo com publicidade, diárias e locomoção de funcionários aos valores empenhados no ano. Pelo artigo, o governo não poderia gastar mais com esses itens em 2010 do que em 2009. A proposta era uma tentativa de conter o aumento dos gastos de custeio da máquina governamental. Com o veto, no entanto, o governo ganha liberdade, no ano eleitoral, para aumentar a publicidade das obras públicas. Além disso, presidente, ministros e altos funcionários terão mais mobilidade para viajar pelo País divulgando as obras do governo. "O ajuste proposto pode inviabilizar a execução e o acompanhamento de obras públicas nas quais é necessária a presença do gestor do contrato, usualmente lotado em local distinto do município objeto da intervenção", diz a justificativa.
Fabio Graner - Estadão online - 14.08.09
Kassab gasta em propaganda mais do que corta em varrição
A Prefeitura de São Paulo já gastou mais em propaganda neste ano do que o valor que será cortado dos serviços de varrição de ruas e retirada de entulhos. Conforme a Folha revelou ontem (12), a administração Gilberto Kassab (DEM) vai cortar 20% dos gastos com varrição e coleta de entulho - redução de R$ 58,4 milhões na despesa com os serviços. Até o início deste mês a gestão já havia empenhado R$ 69,5 milhões para propaganda. No total, Kassab prevê gastar R$ 78,8 milhões com publicidade até o fim do ano, 134% mais do que o valor previsto no Orçamento para 2009 e 98,5% acima do gasto do ano passado, quando o prefeito foi reeleito. Questionado ontem pela manhã, Kassab defendeu o corte de gastos com limpeza e as despesas com publicidade. Segundo ele, a prioridade da gestão é manter os investimentos nas áreas de saúde e educação e garantir os subsídios às empresas de ônibus para não aumentar a tarifa neste ano. O prefeito disse que o município deve arrecadar R$ 24 bilhões neste ano, 1% menos que no ano passado já descontada a inflação. Com isso, disse o prefeito, foi necessário fazer uma série de cortes, mas que não afetarão a qualidade dos serviços. "Nós vamos ter rigor na fiscalização em todas as áreas, também na varrição, e vamos preservar a qualidade do serviço". Sobre as despesas com publicidade, Kassab disse que foi necessário para divulgar os serviços da prefeitura. Ele citou campanhas das áreas de saúde e educação, como a orientação à população sobre a gripe suína. "É equivocado fazer essa análise de que aumentou a publicidade. É vinculado à prestação de serviços".
Demissões
Apesar de o prefeito afirmar que a qualidade dos serviços será mantida mesmo com os cortes, o presidente do sindicato das empresas de limpeza urbana, Ariovaldo Caodaglio, diz que a redução de 20% nos gastos com a varrição terá reflexos. "Os preços pagos pela varrição, no nosso entendimento, nem cobrem os custos", disse ele, que diz serão "inevitáveis" as demissões no setor. O corte no serviço de limpeza urbana ocorre às vésperas da temporada de chuvas.
O líder do PT na Câmara, João Antônio, disse que a prefeitura fez um orçamento inflado para abrigar todas as "promessas eleitoreiras". "O governo vem com essa desculpa da crise internacional quando na verdade a Prefeitura de São Paulo arrecadou mais 5,45% no primeiro semestre deste ano em comparação a 2008". PT e governo usam critérios diferentes para apurar se houve queda ou crescimento da receita. Por isso as informações são divergentes.
Evandro Spinelli
- Folha de SP - 14.08.09
É dos raçudos que elas gostam mais
Amável leitora, você prefere sair com um bonitão, que tem a cara do George Clooney, mas que não se importa muito com você, ou com um sujeito de feições comuns, mas que lhe faz uma canja especial quando você está gripada? E você, leitor, gostaria mais de namorar com uma bela e fria modelo, daquelas que deitadas ficam mais paradas que manequins de loja, ou com uma mulher de feições normais que fizesse coisas de corar o pessoal de Gomorra? Acho que a maioria dos leitores e leitoras escolheu, fácil, fácil, as segundas opções. E isso acontece ainda mais profundamente no futebol. Nestes tempos de profissionalismo, em que cada jogador fica apenas um semestre no clube, é raro ver um atleta que se identifique com o time, que lute os noventa minutos, que se emocione em vestir sua camisa, que aprenda seu hino, que olhe a tabela de classificação na segunda-feira para ver como está o campeonato. Por isso estamos vivendo uma era de valorização dos raçudos. Sim, hoje os raçudos são um artigo de luxo. Antes eram mais comuns que uísque paraguaio e eletrônico chinês. Hoje tornaram-se um produto raro. Coisa chique. Tanto que às vezes são até importados. Antigamente você sabia que o jogador daria tudo de si, pois ele, para o bem e para o mal, pertencia ao clube e sua vida estava definitivamente ligada a ele. Hoje, não. Com este rodízio de pizza que é o mercado de jogadores, um atleta pode ir embora antes mesmo de saber o nome porteiro. A torcida sente isso e busca se identificar com os jogadores que têm a cara do time, que parecem se esforçar mais do que o simplesmente profissional. Pergunte a um palmeirense o que ele acha de Pierre e ouvirá adjetivos exagerados num tom carinhoso. Pergunte a um corintiano qual a saída que ele mais lamentou, se a de Christian ou a do selecionável André Santos, e ele derramará lágrimas de saudade pelo volante. Pergunte a um santista se ele não acha que Madson está mais para um dos sete anões do que para jogador de futebol e comprará uma briga. Nestes dias de frieza, aqueles que se empenham mais que o normal estão se transformando nos xodós da torcida. Atualmente é dos raçudos que elas gostam mais. E há poucos por clube. Um ou dois. No máximo três. Eles atraem o amor dos torcedores como gotas de Fanta Uva derrubadas na pia atraem formigas (o exemplo não é muito poético, mas aconteceu comigo ontem). Qual destes dois ex-centroavantes os palmeirenses mais amam: Kléber ou Keirrison? A resposta é óbvia. Para os alviverdes, Kléber é um guerreiro capaz de derramar seu sangue pelo clube. Já Keirrison não passa de um prenúncio de cuspida. Se jogassem hoje em dia, talvez Batista fosse mais amado que Falcão; Dudu mais adorado que Ademir da Guia, Rondinelli mais aclamado que Adílio. Por isso, caro jogador, deixo-te um conselho. Caso sejas um daqueles atletas de estilo tão aristocrático que parecem estar jogando de smoking, fica na várzea. Só lá eles te saberão dar valor. Por outro lado, se não tens medo de deslizar na lama, de chocar tuas canelas com as do adversário, de correr como um desvairado e de chorar copiosamente nas derrotas, busca um grande time. Eles precisam de ti.
José Roberto Torero - Folha de SP - 29.07.09
Quarta-feira, Agosto 05, 2009
Posted
5:40 PM
by PAULO EDUARDO RIOS
Fora Sarney
Compulsão por propaganda
Em artigo publicado neste espaço no dia 8 de junho, o ministro da Comunicação Social, jornalista Franklin Martins, afirmou que o governo Lula gasta "em torno de R$ 1 bilhão ao ano" com publicidade e que esse é o mesmo patamar de gasto do governo Fernando Henrique Cardoso. Teria sido prudente o ministro se, antes de escrever, olhasse o site da secretaria que dirige -e que o desmente. Lá está: em 2009, a soma dos contratos do governo (administração direta e indireta) com agências de publicidade é de R$ 1.374.359.194,90. E a lista não menciona contratos de publicidade de oito ministérios e muitos órgãos. Pelo menos três deles -Ministério das Cidades (R$ 120 milhões), Ministério da Previdência Social (R$ 26 milhões) e Secretaria Especial da Pesca (R$ 21 milhões) - têm contratos firmados. O ministro tampouco considerou os aditivos - só o Ministério da Agricultura aditou R$ 10,3 milhões em 2009, revela o Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira). Ele ainda esqueceu de computar os generosos patrocínios culturais e esportivos que o governo Lula distribui, em grande parte, a apaniguados. São R$ 867,3 milhões em 2009, que, somados ao bolo publicitário, elevam a conta para R$ 2,4 bilhões - duas vezes e meia o "em torno de R$ 1 bilhão" alardeado pelo ministro. Um estudo sobre a evolução da despesa com publicidade da administração direta no período 1996 a 2009, feito pela liderança do PSDB na Câmara com base no Siafi, mostra que o total executado, a preços corrigidos pelo INPC, entre 1996 e 2002 (governo Fernando Henrique Cardoso), foi de R$ 1.270,6 milhões, e, entre 2003 e 2009 (governo Lula), de R$ 2.173,1 milhões. Lula gastou 92,5% a mais. Com sua compulsão por propaganda, Lula concentrou no Palácio do Planalto os recursos para publicidade institucional. Com isso, a rubrica deu saltos: R$ 188,2 milhões em 2003, R$ 289,5 milhões em 2004, R$ 331,4 milhões em 2005 e R$ 274,3 milhões em 2006. Caiu em 2006 porque a lei limita os gastos publicitários em anos eleitorais à média dos três anos anteriores. Mas, no primeiro semestre do ano eleitoral de 2006, Lula gastou R$ 476.774.103,89, 68% do que a lei permitia no ano todo. Exagero acidental? Os números são eloquentes e revelam que os gastos com publicidade do governo Fernando Henrique Cardoso foram muito menores do que os do governo Lula. Computando apenas a administração direta, em média, o governo Lula gasta simplesmente o dobro do que gastou o governo Fernando Henrique, atestando a marca maior do seu chefe - a obsessiva compulsão pela propaganda, que é a essência de sua ação política. O ministro Franklin Martins diz que 70% da publicidade do governo vem de empresas estatais que concorrem no mercado, sugerindo que elas têm foco comercial e não atuam para alavancar a ideologia oficial lulo-petista. Falso. Os Correios e a Petrobras não competem com ninguém. Ademais, nunca na história deste país a publicidade oficial foi tão controlada pela Presidência. Ninguém aprova uma peça ou um plano de mídia de qualquer setor do governo sem a bênção do ministro Franklin. O conceito ufanista da propaganda "comercial" das estatais é a chave para combiná-la com efeitos da propaganda oficial, seja de forma direta, seja com reprovável caráter subliminar. A campanha da Petrobras para festejar a suposta autonomia petrolífera, por exemplo, foi conjugada com a intensa "comemoração" do governo, otimizando a duplicidade oficialista. A campanha da Caixa para o programa Minha Casa, Minha Vida foi outro exemplo de "mídia casada", ao usar slogans e chavões lulistas. Por último, o governo Lula usa dois truques maliciosos. Em 2003, 499 veículos recebiam propaganda do governo. Em 2008, esse total foi para 5.297. Ao redirecionar a publicidade para milhares de pequenos jornais e rádios, Lula mirou na dependência publicitária de boa parte desses pequenos veículos para acertar na escravização dos espaços editoriais - pequenos veículos do interior remoto são mais suscetíveis à pressão política do poder federal do que a imprensa tradicional, que compunha a lista dos 499. Outro truque foi maximizar as tiragens dos jornais, auditadas ou não, como "critério técnico" para justificar a distribuição de verbas publicitárias a veículos sindicais, como o "Jornal da CUT". Escandalosamente partidarizados, esses "jornais" disputam publicidade com a imprensa independente de forma desigual. Não são imprensa livre, não buscam a pluralidade de fontes, exaltam uma só ideologia - o lulo-petismo -, não auditam suas tiragens e ainda são financiados pelo imposto que você, cidadão, recolhe com o seu suado trabalho.
José Aníbal Peres De Pontes, deputado federal (PSDB-SP), Folha de SP, 04.08.09
Criatividade e cintura
Outro dia, numa palestra, me perguntaram como se identifica prontamente alguém criativo. E me ocorreu, naquele momento, uma única resposta: pela cintura. Alguma interpretação literal de cintura gerou certas risadas. Mas propus: encomende-se, por exemplo, um evento com três dias de duração e seis palestras a um profissional tido como do ramo; em seguida, assim que ele apresentar a coisa redondinha, amarrada, irretocável, crie-se uma circunstância nova, um imprevisto, algo aparentemente irremediável, como, digamos, um palestrante que, programado para um dia, de repente, não pode mais estar presente naquele dia. Observe-se, então, como a criatura reage. São, normalmente, duas as alternativas utilizadas. Uma é usar a cabeça para as infinitas possibilidades de se recombinar os dados com que se trabalhou até agora. (Convenhamos, seis palestras em três dias constitui um bocado de combinações). A outra possibilidade de que dispõe o nosso personagem é forçar a preservação do que está pronto. Manter-se rígido, irredutível, fugir do trabalho, acomodar-se naquilo que construiu anteriormente. Naturalmente, essa postura intransigente vai promover algum desgaste entre as partes envolvidas num evento pretensamente grandioso, mas o produtor não criativo focará sua energia na defesa das obviedades e se ocupará, antes de qualquer coisa, em apontar culpados, germinará a discórdia, tudo de maneira a fazer com que aquilo que planejou com antecedência seja mantido, a qualquer preço, como algo irreparável. Nota zero em criatividade. Nota dez em mediocridade e presunção. Quando a burocracia assume o comando, a criatividade perde a função. Portanto, atenção, meus amigos! Cuidado com os burocratas, aferrados a normas, postulados, "fiz a minha parte", "cumpri o contrato"... É gente sem cintura, que diante de uma circunstância nova nunca sabe o que fazer senão se apegar aos "seus direitos". São capazes de tentar desviar o movimento do mar para salvar o seu castelinho de areia. Quanto a mim, posso dizer: se há uma única coisa que aprendi na vida foi a ter cintura. Para isso, sempre fiz questão de me propor desafios, escapar do convencional, "pensar ao contrário". Quem leu o "Raciocínio criativo na publicidade" sabe do que estou falando. Sempre acreditei que não existe coisa mais emburrecedora do que "fazer tudo direitinho, como manda o figurino". Deus me livre! Uma das qualidades fundamentais do criativo é a imprevisibilidade. Ora, tem situação menos criativa do que a situação previsível? Sim, claro que situações previsíveis existem e fazem parte da vida, são necessárias. Há, inclusive, gente desenhada à feição para realizá-las. Pessoas que se especializam em movimentos repetitivos, em que não faz falta pensar muito, apenas aplicar regras. É gente que, certamente, tem a sua importância para fazer algumas coisas básicas funcionarem. Mas não contemos com elas para soluções criativas, para circunstâncias novas, em que será necessária certa capacidade de improvisação. Entram em pânico, são incapazes de lidar com o rompimento de qualquer ordenamento. Que pobreza... Lembro que, em certa época, fui taxado de "inadministrável". O sujeito achou que me ofendia, mas a expressão me soava como elogio. Administrável é um cavalo que você doma, um cachorro que você adestra, um idiota que você condiciona... Nunca um criativo genuíno! No caso, ser "inadministrável" era questionar certas definições. Era duvidar de alguns mitos. Era, eventualmente, apontar o "rei nu". Claro que isso incomoda, cria o desconforto da quebra do equilíbrio, obriga a buscar alternativas... Muitas vezes não combina com uma carreira brilhante nem com a boa vontade do poder; é, enfim, a antítese do comodismo. Tem um preço, é verdade. Mas, em compensação, tem uma vantagem para toda a vida: a conquista da verdadeira independência. Isso não quer dizer que eu me negue a cumprir qualquer preceito para tarefas em que seja necessária alguma disciplina. Lido, aliás, muito bem com essas coisas. Afinal, o verdadeiro criativo não abre mão do bom senso. Independência, nesse caso, significa o direito de ponderar o razoável a seu favor, sem medo. Ou seja, é desobrigar-se de fazer as coisas apenas obedecendo a ordens, automaticamente, sem pesar a origem dessas ordens. É respeitar a própria inteligência. É exercer o direito e o dever de colaborar com a evolução da espécie.
Stalimir Vieira, Propaganda & Marketing, 03.08.09
Quinta-feira, Julho 23, 2009
Posted
11:03 AM
by PAULO EDUARDO RIOS
Emofest
Por que me ufano: no top 15 das cidades mais violentas no índice IHA (Índice de Homicídios na Adolescência) do Brasil, simplesmente 4 são no Espírito Santo. Lá o pau come, pela ordem, em Cariacica, Linhares, Serra e Vila Velha. Entre as capitais, Vitória é a quarta colocada (Maceió, Recife e Rio ocupam o pódio). Segundo o IHA, que mede a probabilidade de um jovem ser assassinado entre os 12 e 12 anos em cada cidade, a média do Brasil é 2,03. Em Cariacica, a terceira colocada geral entre 267 municípios com mais de 100 mil habitantes, o índice é de 7,32. Homens nesta faixa etária têm 12 vezes mais chances de serem assassinados do que mulheres. Negros têm 2,6 vezes mais chances que brancos. É, os emos estão ameaçados por estas bandas.
Aspas
"Hoje, o meio quilate é o novo três quilates".
Lila Delilah, blogueira de NY sobre a crise - vai lá: http://madisonavespy.blogspot.com/
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Posted
11:18 AM
by PAULO EDUARDO RIOS
Um modo novo de encher a barriga
Hoje, à exceção talvez do governo, todo mundo sabe o que ocorre com o Bolsa Família, que abrange nada menos de 40 milhões de pessoas. Inventaram-se os mais diversos modos de burlar as normas que o regem, chegando-se ao ponto de, quando o beneficiado pelo programa consegue um emprego, pede ao patrão que não lhe assine a carteira de trabalho, para que possa, assim, fazer de conta que continua desempregado. Vejam vocês a que leva esse tipo de ajuda demagógica, quando sabemos que ter a sua carteira de trabalho assinada pelo patrão sempre foi uma aspiração de todo trabalhador. A carteira assinada é imprescindível para comprovar o tempo de serviço e garantir a aposentadoria. Aqueles, porém, que abrem mão disso, estão certos de que o Bolsa Família os sustentará pelo resto da vida, sendo, portanto, desnecessário aposentar-se. É como se já estivessem aposentados, uma vez que ganham sem trabalhar. Um conhecido meu, que cria algumas cabeças de gado, contou-me que o vaqueiro de sua fazenda separou-se aparentemente da mulher (com quem tinha três filhos) para que ela pudesse receber a ajuda do Bolsa Família, como mãe solteira e sem emprego. Ao mesmo tempo, embora já tivesse decidido não ter mais filhos, além dos que já tinham, mudaram de ideia e passaram a ter um filho por ano, de modo que a filharada, de três já passou para sete, sem contar o novo que já está na barriga. Esse procedimento se generaliza. Um médico que atende num hospital público aqui do Rio, declarou na televisão que uma jovem senhora, depois de sucessivos partos, teve que amarrar as trompas. Com medo de morrer, aceitou a sugestão do médico, mas lamentou: "É pena, porque vou perder os R$ 150 do Bolsa Família". Pois é, ter filhos se tornou, no Brasil do Lula, um modo fácil de aumentar a renda familiar. Em breve, o número de carentes duplicará e o dispêndio com o programa, também.
O Brasil precisa urgentemente de um estadista.
Ferreira Gullar - Folha de SP - 05/07/09
Sexta-feira, Junho 19, 2009
Posted
6:08 PM
by PAULO EDUARDO RIOS
Propaganda de Lula chega a 5.297 veículos
Com PT no Planalto, o número de meios de comunicação que recebem verbas de publicidade federal aumentou 961%
Ao tomar posse, comerciais do petista atingiam 21 TVs e 270 rádios; no fim de 2008 já havia 297 TVs e 2.597 rádios veiculando anúncios oficiais
Os comerciais do Palácio do Planalto atingiram no ano passado 5.297 veículos de comunicação no país. O número representa uma alta de 961% sobre os 499 meios que recebiam dinheiro para divulgar propaganda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, quando o petista tomou posse.
Esse padrão de pulverização na publicidade é incomum na iniciativa privada. Segundo dados do Ibope Monitor, a Fiat anunciou em 206 meios de comunicação diferentes no ano passado. O banco Itaú, em 176. Trata-se de uma pesquisa por amostragem, mas mesmo com um desvio de 1.000% o número de veículos nos quais essas duas empresas anunciam não se aproximaria dos 5.297 escolhidos pelo governo federal.
A regionalização da propaganda federal é parte de uma estratégia de marketing do governo. Presidente mais bem avaliado no atual ciclo democrático, Lula viu sua alta popularidade se consolidar numa curva quase paralela ao avanço da distribuição de seus comerciais pelo interior do país.
"O fato de ter ampliado a presença do presidente na mídia regional pode ter ajudado [a elevar a popularidade do governo]", admite Ottoni Fernandes, subchefe-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que está sob o comando do ministro-chefe da Secom, Franklin Martins.
Mudança de estratégia
Diferentemente dos antecessores, Lula regionalizou radicalmente a distribuição de verbas de publicidade. Não houve um aumento expressivo no valor gasto, mas uma mudança de estratégia. Grandes veículos de alcance nacional passaram a receber um pouco menos. A diferença foi para pequenas rádios e jornais no interior.
O orçamento total consumido em mídia por Lula e pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), seu antecessor, oscilou sempre na faixa de R$ 900 milhões a R$ 1,2 bilhão por ano -sem contar patrocínios e outros custos relacionados à produção de comerciais.
No caso das verbas apenas para a Presidência, só há dados disponíveis a partir de 2003. Antes a propaganda presidencial era feita de maneira dispersa pelos vários organismos da estrutura federal. Lula gasta anualmente um pouco acima de R$ 100 milhões com comerciais idealizados pelas agências que servem ao Planalto.
A diferença em relação ao governo anterior é a distribuição das propagandas por muitos meios de comunicação de pequeno porte. Logo depois de tomar posse, os comerciais do petista atingiam, por exemplo, apenas 270 rádios e 21 TVs. No final do ano passado, já eram 2.597 emissoras de rádio e 297 TVs recebendo dinheiro do Planalto para divulgar mensagens da administração federal.
Não se trata de publicidade de utilidade pública. Campanhas de vacinação ou sobre matrículas escolares continuam sendo executadas pelos ministérios. A propaganda produzida pelo Planalto é sobre ações de interesse político-administrativo -como divulgar a lista de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
Às vezes o governo também atua como animador da população. No final do ano passado, uma campanha nacional foi veiculada para que os brasileiros não interrompessem o consumo por receio dos efeitos da crise econômica internacional.
"O presidente Lula, se eu pudesse escolher, deveria ser o profissional de comunicação do ano. Ele reduziu, no gogó, a tensão da população, da classe C ascendente. O presidente é ótimo em comunicação integrada. A regionalização da mídia é uma parte. Já existia antes de a crise chegar e ajudou", diz Mauro Montorin, publicitário da agência 141, uma das responsáveis pela conta da Presidência da República.
A capilaridade dos comerciais de Lula pode ser também mensurada pelo número de cidades brasileiras nas quais há propaganda do Palácio do Planalto. Em 2003, eram 182 municípios atingidos. Agora, são 1.149 -uma alta de 531%.
"A mídia regional é mais ligada às comunidades e tem mais credibilidade localmente (...) Partimos para uma política de atender a mídia regional, com mais entrevistas do presidente. Há uma mania no Brasil de achar que a mídia é só em São Paulo e no Rio", diz Ottoni Fernandes, subchefe da Secom.
A diretriz geral é dada pelo ministro Franklin Martins: "A imprensa regional está crescendo no Brasil. O objetivo do governo é se comunicar com a população e esses veículos do interior atingem uma parcela relevante da população".
Rádios e jornais
Em 2003, havia 5.772 rádios no Brasil, de acordo com o Ministério das Comunicações. Hoje, são 8.307 emissoras, incluindo as 3.685 chamadas "rádios comunitárias", cujo alcance do sinal é limitado.
No meio jornal, quando Lula tomou posse, existiam 2.684 títulos no país, segundo a Associação Nacional de Jornais; em 2006, último dado disponível, já eram 3.076 veículos.
Uma das razões para a iniciativa privada não anunciar na maioria desses veículos é a falta de mecanismos para auditar a penetração da mensagem e aferir a eficácia do comercial. Poucos jornais no país têm tiragem comprovada pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação). Essa entidade só inspeciona 118 dos mais de 3.000 títulos.
O governo afirma exigir comprovação de impressão por parte do pequenos jornais antes de fazer o pagamento. No caso das rádios, diz Ottoni Fernandes, "há cadastro com todas as emissoras em cidades com mais de 50 mil habitantes", que precisam emitir faturas e dar alguma prova de veiculação do comercial. Essa é uma exigência do TCU (Tribunal de Contas da União), que foi consultado ao longo do processo de regionalização para aprovar os métodos do Planalto.
Fernando Rodrigues
- Folha de SP, 31/05/09
Para que criar fantasmas?
Na última semana, alguns colunistas e políticos da oposição abriram baterias contra a regionalização da publicidade do governo federal. Não gostaram de saber que os anúncios da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), até 2003 concentrados em apenas 499 veículos e 182 municípios, em 2008 alcançaram 5.297 órgãos de comunicação em 1.149 municípios -um aumento da ordem de 961%.
Por incrível que pareça, conseguiram enxergar nesse saudável processo de desconcentração um ardiloso mecanismo de corrupção dos jornais e rádios do interior. Essa seria a explicação para as altas taxas de avaliação positiva do presidente Lula, registrada pelos institutos de opinião.
O raciocínio não tem pé nem cabeça. Vamos aos fatos.
As verbas publicitárias de todos os órgãos ligados ao governo federal permaneceram no mesmo patamar do governo anterior, em torno de R$ 1 bilhão ao ano. Desse total, 70% são investidos por empresas estatais, que não fazem publicidade do governo, mas de seus produtos e serviços, para competir com companhias privadas.
Além disso, os ministérios e autarquias, que respondem por 20% da verba publicitária federal, não podem fazer propaganda institucional, só campanhas de utilidade pública (vacinação, educação de trânsito, direitos humanos etc.). Apenas a Secom está autorizada a fazer publicidade institucional. Para esse fim, seu orçamento é igual ao do governo anterior (cerca de R$ 105 milhões).
Não houve aumento de verbas. O que mudou foi a política. Em vez de concentrar anúncios num punhado de jornais, rádios e televisões, a publicidade do governo federal alcança agora o maior número possível de veículos. Pelo mesmo custo, está falando melhor e mais diretamente com mais brasileiros. Acompanhando a diversificação que está ocorrendo nos meios de comunicação.
A circulação dos jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo-Brasília, por exemplo, está estagnada há mais de cinco anos, próxima dos 900 mil exemplares. No mesmo período, conforme o Instituto Verificador de Circulação, os jornais das outras capitais cresceram 41%, chegando a 1.630.883 exemplares em abril. As vendas dos jornais do interior subiram mais ainda: 61,7% (552.380). No caso dos jornais populares, a alta foi espetacular, de 121,4% (1.189.090 exemplares).
Por que deveríamos fechar os olhos para essas transformações? A Secom adota hoje o princípio da mídia técnica: a participação dos órgãos de comunicação na publicidade é proporcional à sua circulação ou audiência. Houve época em que eram comuns distorções, às vezes bastante acentuadas, a favor dos grupos mais fortes. Isso acabou.
Esses critérios técnicos, amplamente discutidos com o TCU e entidades do setor, têm favorecido a democratização, a transparência e a eficiência nos investimentos de publicidade do governo federal. Não há privilégios nem perseguições. Tampouco zonas de sombra. Muito menos compra de consciências.
É importante ressaltar ainda que a comunicação do governo não se dá principalmente pela publicidade. Esta apenas presta conta das ações mais importantes e consolida algumas ideias-força. O governo comunica-se com a sociedade basicamente por meio da imprensa, respondendo a perguntas, críticas e inquietações.
Para ter uma ideia, em 2008 o presidente Lula deu 182 entrevistas à imprensa, respondendo, em média, a 4,8 perguntas por dia, incluindo fins de semana e feriados. É pouco provável que exista um chefe de governo no mundo que tenha conversado tanto com a imprensa quanto o nosso. Atendendo a todo tipo de imprensa, pois não existe no Brasil só a imprensa do eixo Rio-São Paulo-Brasília. São várias, com percepções e interesses diferentes. Cada uma fazendo o jornalismo que lhe parece mais apropriado e se dirigindo ao público que conseguiu conquistar.
Exemplo: quando Lula lançou em São Paulo o atendimento em 30 minutos aos pedidos de aposentadoria no INSS, os grandes jornais não destacaram o fato. Mas o tema foi manchete de quase todos os jornais populares e diários das demais capitais. O que para uns foi nota de pé de página, para outros foi a notícia do dia.
Por tudo isso, temos que ficar atentos às mudanças na forma como os brasileiros se informam. O crescimento da internet é um fenômeno que abre extraordinárias possibilidades e lança imensos desafios. Não podemos fechar os olhos para a realidade: os jovens, cada vez mais, buscam informações nos portais, nos blogs e nas redes sociais da internet.
Por último, não se sustenta o raciocínio de que as altas taxas de aprovação do governo Lula teriam a ver com um arrastão de compra de jornais e rádios no interior. Basta recorrer ao último Datafolha, que atribui 67% de ótimo e bom para o governo federal nas regiões metropolitanas e 71% no interior. A diferença está situada dentro da margem de erro da pesquisa. Os números são praticamente os mesmos. O resto é preconceito.
O mais provável é que as altas taxas de aprovação do governo tenham uma explicação bem mais simples: a maioria da população está satisfeita com seu trabalho. É legítimo que aqueles que não concordam com tal percepção recorram à luta política para mudá-la. O debate faz parte da democracia. E faz bem a ela. Mas é necessário criar fantasmas?
Franklin Martins
- ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República - Folha de SP, 08/06/09
Terça-feira, Junho 09, 2009
Posted
10:14 AM
by PAULO EDUARDO RIOS
Cuando llueve comparto mi paraguas.
Si no tengo paraguas, comparto la lluvia.
Enrique Ernesto Febbraro
Quarta-feira, Junho 03, 2009
Posted
5:11 PM
by PAULO EDUARDO RIOS
A beleza simples
Mas qual a relação da matemática com a beleza? Matemáticos e físicos atribuem beleza à teoremas e teorias, criando uma estética da "verdade". Os mais belos são aqueles que conseguem explicar muito com pouco.
Quando possível, os teoremas e teorias mais belos são também os mais simples; dadas duas ou mais explicações para o mesmo fenômeno, vence a mais simples. Esse critério é conhecido como a "lâmina de Ockham", atribuído a William de Ockham, um teólogo inglês do século 14.
Marcelo Gleiser - Folha de SP, 31/05/09
Quarta-feira, Abril 29, 2009
Quinta-feira, Abril 23, 2009
Posted
5:01 PM
by PAULO EDUARDO RIOS
Pulp friction - Why tropicana’s redesign was the pits
By the time you read this, Tropicana orange juice’s new image — the sans-serif typeface, the oddly generic packaging, the picture of a glass filled with orange juice — will be a thing of the past, a relic of the grocery-store imagination, an Edsel of the breakfast aisle. In the world of commercial design, Tropicana’s overly bland, overly simplified redesign, introduced in January, will go down in history for annoying consumers so mightily that they agitated for a return to the original packaging: a white carton with a picture of a juicy orange, Venetian-stripe straw piercing its skin. I was a little surprised by the level of public outrage. In the midst of a crippling recession, who has the time and energy to care about the package their orange juice comes in? If you can complain about it, you can still probably afford it, so what’s the big deal? But the most remarkable detail about the Tropicana fiasco was how personal it became — and how eagerly the public tarred Peter Arnell, the marketing and design guru behind it. Video of Arnell explaining the new look was posted on YouTube. If you Googled his name at the time, the second mention to pop up was Gawker, the media gossip site, which described his eyeglasses as "fetishy". Me-ow! New York magazine put Tropicana’s return to its original design on its approval matrix along with other "brilliant" phenomena like the Oscar winner Dustin Lance Black going shirtless in Vogue Hommes. Since when does an orange juice carton merit gossip-worthy status?
Since the world has been in tatters, that’s when. If the economic sands are shifting beneath your feet, it seems you want your orange juice container to look the same as it did when your 401(k) was worth Since the world has been in tatters, that’s when. If the economic sands are shifting beneath your feet, it seems you want your orange juice container to look the same as it did when your 401(k) was worth more than, say, a carton of orange juice. Marketers, though, seem oblivious. Pepsi, M&M’s and Hellmann’s have all undergone some sort of design overhaul or adjustment in the recent past. Not so long ago, Triscuit streamlined its sans-serif type and with it all my summertime memories of the 1970s: my parents drinking gin and tonics and eating Triscuits and cheddar on the porch, the smell of the ocean, my mother yelling at me to change my bathing suit — all up in smoke. The new box puts me in mind of some sort of cracker imported from Sweden, possessing large quantities of fiber. I have to close my eyes and reach into the box before I can smell the ocean at Rehoboth Beach, Del., again. Even some longstanding luxury goods have made dramatic changes. Rigaud has introduced a new candle design, with a fancy new top. I can hear Pamela Harriman — who was reputed to rely on the candles for amorous purposes — rolling over in her grave. "Being different right now just doesn’t feel right", Jeffrey Bilhuber, the interior designer and Rigaud fan, told me. "Right now, we crave the familiar". So, the more I thought about Tropicana, the more I felt my equilibrium disturbed. Sitting down at the breakfast table — or, really, standing in front of the open refrigerator — seemed, all of a sudden, like a foreign experience, as if overnight I had been transported back in time for a semester abroad in Europe, and my roommates spoke in time for a semester abroad in Europe, and my roommates spoke only Dutch, and the toilet didn’t flush all that vigorously. Breakfast is a particularly sensitive time of the day, so perhaps changing any of its routine comforts is alarming. But Triscuit? Hellmann’s? It is too much for my delicate constitution to bear. Not since the introduction of New Coke (and the attempt to eliminate old Coke) in 1985 has a consumer backlash reached such a fevered pitch. While plenty of people called the Coca-Cola headquarters to complain about New Coke’s taste, I’ll bet no one called to complain about the visionary in the fetishy eyeglasses in charge of the situation. Probably no one alive can even tell you who that guy was. But at a time when Facebook, Twitter, MySpace and YouTube can tell you who is eating a tuna sandwich right now, we are all ready to pounce on the pathetic genius who redesigned Tropicana. I called Arnell, and he defended his design. One of Tropicana’s issues, he said, is that it is the one prominent brand that is not sold in a transparent bottle: "You can’t see the juice you’re buying". So he added a picture of a big glass of orange juice on the front of the carton. What’s wrong with that? And some buyers loved parts of his design, he said, like the cap in the shape of a halved orange. "It’s charming. It’s sincere. It’s meaningful". Besides, he added, American consumers are used to seeing redesigned products every day. "Walk into an Apple store and you see new products every week, every month", he said. "Nike, Adidas, Mazola, Nestlé. They’re flipping packages nightly". But, jeez, Peter, even I got upset about Triscuit. "Get over it", he said.
Alex Kuczynski, The NYT Magazine, 19/04/2009
Quarta-feira, Abril 08, 2009
Posted
8:05 PM
by PAULO EDUARDO RIOS
Quem governa?
Um recurso manjado, de que lançam mão os regimes autoritários e os caudilhos, é inventar um inimigo do povo, que eles estão sempre prontos a combater. Esse inimigo hipotético serve para justificar muita coisa e, sobretudo, para manter a popularidade do regime ou do líder. Lembram-se da guerra das Malvinas, a que a ditadura militar arrastou a Argentina, tentando com isso salvar-se da morte iminente? Um desastre político e militar, mas que, no primeiro momento, contou com o apoio de boa parte do povo argentino, induzida pela convicção de que os ingleses lhe roubaram aquelas ilhas.
E quando não são ilhas são alhos ou bugalhos, já que a mania de perseguição parece latente na alma de quase todos nós. Mas, se as ditaduras precisam disso para se garantir, o fantasma do inimigo comum tem sido usado por muitos políticos, particularmente pelos chamados populistas. Chávez, por exemplo, elegeu o Bush inimigo número um do povo venezuelano e chegou até a comprar armas de guerra para se defender de uma suposta iminente invasão do país pelos norte-americanos. A eleição de Barack Obama tornou-se uma ameaça às avessas para Chávez, que, por isso mesmo, já começou a demonizá-lo.
Lula não é tão óbvio mas, aqui e ali, nas declarações que dá, deixa sempre implícito que os brasileiros ricos são inimigos dos brasileiros pobres e que ele, Lula, está a postos para impedir que essa perseguição se mantenha. Não o estou equiparando a Chávez com sua revolução bolivariana que, no Brasil, seria motivo de galhofa, e Lula, que sabe muito bem disso, tampouco pensa em revoluções de qualquer tipo.
Gostaria, é claro, de se reeleger indefinidamente, mas, como não dá, contenta-se em eleger a Dilma, para retornar em 2014.
Logo, não vejo nas insinuações de Lula outro propósito senão o de explorar, em seu benefício, as desigualdades que, sem dúvida, existem, mas que têm causas bem mais complexas do que a suposta maldade de ricos contra pobres ou de brancos contra negros. Ao fazê-las, na condição de presidente da República e líder político, lança na sociedade o germe do ódio racial e de classes, que poderá acabar em lamentáveis consequências.
Admito não ser essa a sua intenção e que fale assim para tirar partido das contradições latentes na sociedade. E se o admito é, entre outras razões, pela obviedade como o faz. Logo após a vitória eleitoral de Obama -que se elegeu afirmando que, antes de ser um candidato negro, era norte-americano-, Lula fez questão de frisar que, assim como o Brasil elegera um operário para a presidência da República, os Estados Unidos acabavam de eleger um negro. Noutras ocasiões, repetiu ter pena de Obama, insinuando que, por ser negro, iria atrair o ódio dos brancos e não poder governar. É evidente que não o dizia para Obama, mas para o brasileiro negro. Nesse terreno, a última gafe que cometeu foi, diante do primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, ao afirmar que a responsabilidade pela crise mundial cabe "aos brancos de olhos azuis". Não se dá conta da indigência intelectual de semelhante afirmação, que nos constrange a todos...
Não estou dizendo nenhuma novidade. Que o Lula é um político populista todo mundo sabe, já que essa é a marca de seu governo. Se ainda restasse alguma dúvida, bastaria o recente anúncio do PAC da habitação, que promete construir 1 milhão de casas para os pobres, sem ter projeto claro, sem saber onde serão erguidas essas casas e sem data estabelecida para que o plano se realize. E ele mesmo declarou: "Não me cobrem datas". Sim, porque o que lhe importa não é realizar o projeto, mas apenas anunciá-lo. Contado, ninguém acredita.
Aliás, ele não faz outra coisa, senão anunciar novos programas, lançar pedras fundamentais, assinar investimentos futuros, proclamar realizações que não saem do papel. Por falar nisso, cabe perguntar: quem será mesmo que governa o país? Dei-me ao trabalho de anotar as "realizações" do nosso presidente durante o mês de março: dia 12, estava no canteiro de obras da hidrelétrica do Jirau, em Rondônia; dia 13, seguia para os Estados Unidos, onde ficou 14 e 15, quando deu conselhos a Obama; dia 16 embarca de volta, chega na madrugada de 17 a Brasília; dia 18, já está no Rio e dia 20 em São Paulo, com Cristina Kirchner; segunda-feira, 22, vai a Recife, depois a Salvador e, 25, em Brasília, lança o pacote da habitação, dia 26,de novo em São Paulo e 28 no Chile...
Se o presidente não para no Palácio e não despacha com os ministros, não pode saber o que se passa nos 37 ministérios. Então, quem governa?
Ferreira Gullar, Folha de SP, 05/04/09
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